Desde o advento da banda larga em nossas casas, o PPPoE se tornou um dos principais protocolos de autenticação para o acesso à Internet. Com mais de 53 milhões de acessos fixos no Brasil (cerca de 79% em fibra) e 86% dos domicílios conectados, saber como configurar PPPoE no seu roteador continua sendo uma das dúvidas mais frequentes de quem troca de equipamento ou personaliza a conexão.
Continue conosco para descobrir o básico do PPPoE – ou clique aqui para checar nosso guia detalhado sobre os produtos Intelbras, aparelhos que talvez você esteja utilizando neste momento.
O que é PPPoE?
A sigla PPPoE se refere a Point-to-Point Protocol over Ethernet. Na prática, este é o protocolo de autenticação que muitas conexões de banda larga utilizam para estabelecer a sessão entre o roteador e o provedor de Internet.
O PPPoE surgiu como um substituto para o já extinto PPP (Point-to-Point Protocol), a sequência numérica que as antigas conexões Dial-Up utilizavam. Antes dos roteadores, o acesso à Internet só era possível por meio de programas que, com um usuário e senha, forneciam o serviço através da linha telefônica residencial. Nessa época, o procedimento tinha que ser repetido todas as vezes que alguém queria se conectar.
Porém, com a chegada do Wi-Fi e a comercialização em massa do modem de banda larga, as conexões discadas evoluíram para a Ethernet, dando espaço às placas de rede e ao compartilhamento fácil entre vários usuários simultâneos. Por causa do PPPoE (e DHCP), esse processo de autenticação agora só é feito uma única vez (geralmente, quando o funcionário da sua operadora instala o roteador na sua casa ou empresa).

Aproveite e leia também: Como configurar IP estático no roteador
Todo roteador usa PPPoE?
Não. Hoje em dia, aparelhos mais modernos nem sempre necessitam do protocolo PPPoE para se conectar à Internet. Em muitas instalações de fibra, basta plugar o cabo na ONT e o roteador recebe IP automaticamente via DHCP. Em outros cenários, a ONT da operadora fica em modo bridge e o roteador próprio é quem faz a autenticação PPPoE. Mais sobre essas diferenças daqui a pouco.
Assim como as credenciais do seu rotador (o usuário e senha que você compartilha com as visitas), o PPPoE também possui seu próprio cadastro – em outras palavras, o usuário e senha do seu servidor de Internet, totalmente diferente dos dados do seu roteador. Para os fins deste artigo, você precisará dos dois pares de senha.
Como configurar PPPoE
Existem alguns motivos para configurar um novo PPPoE – especialmente se você acabou de adquirir um modem compatível, mas prefere personalizá-lo sem assistência técnica. De qualquer forma, como mencionamos, você vai precisar primeiro do seu usuário e senha do roteador para acessar as configurações do PPPoE, onde só então você vai inserir o usuário e senha do protocolo.
Contudo, como normalmente não fazemos a autenticação desse primeiro acesso de rede, talvez você não saiba esses dados de cabeça. Para achar as informações, tente verificar na etiqueta da caixa do seu produto ou atrás do próprio modem. Caso tenha dúvidas, entre em contato com o fabricante e informe o número de série do roteador. Aproveite para confirmar com o provedor se há VLAN ID obrigatório e qual o MTU recomendado (o padrão em PPPoE é 1492 bytes, não 1500).
Após achar o usuário e senha PPPoE, você também vai precisar do endereço de IP do seu modem – saiba mais neste artigo. Uma vez tendo tudo em mãos, é hora de aprender como configurar PPPoE!
No primeiro acesso ao modem
É importante mencionar que cada aparelho pode apresentar etapas diferentes, então o ideal é consultar o seu manual de instruções sempre que necessário. O procedimento geral consiste nos seguintes passos:
- Abra o seu navegador padrão de Internet;
- Na barra de endereço/pesquisa, digite o endereço de IP do modem;
- Insira os dados de login do aparelho;
- Ache a seção “Configurações Rápidas” e selecione seu fuso horário;
- Procure o protocolo PPPoE e clique em “Avançar”;
- Siga as orientações e preencha os campos necessários;
- Configure o acesso ao Wi-Fi do modem e clique em “Confirmar”.
Após isso, já será possível autenticar a sua rede local e navegar pela Internet via conexão PPPoE.

Alterar uma conexão já existente
Com isso dito, alguns modelos de roteadores atuais contam com outros tipos de conexão WAN: Dynamic IP, Static IP, L2TP e PPTP. Todas elas podem ser mudadas para PPPoE. Se o seu provedor exigir VLAN ID, configure esse parâmetro antes de alterar o tipo de conexão, pois um ID incorreto impede a descoberta do servidor PPPoE. Veja como trocar:
- Repita os mesmos passos da seção anterior, até chegar em “Configurações Rápidas” ou “Configurações Avançadas”;
- Procure a aba “Internet”;
- Altere a configuração de protocolo atual para “PPPoE”;
- Confirme as alterações com seus dados de login;
- Salve tudo.
Pronto! Saber como configurar PPPoE é mais simples do que aparenta, não é? Para confirmar que tudo funcionou, verifique no painel se a sessão WAN aparece como conectada e teste a navegação em alguns sites. E agora que o PPPoE está no ar, talvez você encontre outras funções interessantes no menu do seu roteador.
Como configurar PPPoE e DHCP: Qual a diferença?
No primeiro contato com o mundo de TI, uma outra dúvida frequente com relação a PPPoE surge com o DHCP – ou Dynamic Host Configuration Protocol. Se eles possuem funções semelhantes, qual é a diferença entre um e outro?
Bom, embora os dois sejam processos de rede distintos, eles se complementam.

Como dissemos, o PPPoE cria sessões autenticadas de banda larga via Ethernet, substituindo o antigo modelo das linhas telefônicas. O DHCP, por sua vez, é o protocolo que atribui automaticamente endereço de IP, máscara de sub-rede, gateway e DNS aos dispositivos da rede, permitindo o acesso instantâneo sem que cada aparelho precise inserir usuário e senha PPPoE. Recursos como VPN operam sobre essa camada, depois que o DHCP já fez o seu trabalho.
Em roteadores mais atuais, alguns provedores adotam IPoE (IP over Ethernet), onde o DHCP atua de forma independente na WAN, sem sessão PPP. Nesse modelo, o roteador obtém IP direto do provedor, mantém o MTU padrão de 1500 bytes e simplifica a configuração, embora o provedor precise de outros mecanismos para identificar e autenticar cada assinante.
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